Canta-nos Sérgio Godinho que só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir. Talvez liberdade de pensar, liberdade de ser quem se é, independentemente da expectativa do outro sobre nós, e de acordo com os nossos próprios pressupostos. Este direito – que deveria ser insofismável, como bem sabemos – é frequentemente posto em causa e organizamo-nos a partir de amarras internas que se traduzem não num viver, mas num sobreviver, numa hiperadaptação e desencontro, ou até mesmo num “nunca-encontro” connosco mesmos.
Em psicanálise, sessão após sessão, torna-se possível a descoberta do que é ser livre, não só dentro do consultório, mas também no mundo – primeiro ali, acompanhados, depois sozinhos, internamente confortados e amparados. Vai-se caminhando, sem urgência em chegar a algum lado concreto, com mais capacidade de desfrutar do percurso, rumo à verdadeira Liberdade.
A nova relação que surge do bem-sucedido processo psicanalítico transporta em si um potencial ilimitado, que assume uma dimensão sublime quando pode, por fim, ser vivenciado fora das paredes do consultório. É um olhar que se transforma sobre o próprio e sobre o mundo, num sem-fim de caminhos por explorar, com enfoque no prazer, na vida, no amor. E porque tudo é melhor quando partilhado, é a expansão de ambos os intervenientes o grande feito, à medida que reproduzem pela vida fora as conquistas buriladas enquanto par. O analista também cresce, também se desenvolve. Quanto mais se dá, mais se tem, como no amor. A espiral expansiva na sua mais singela essência.
